Domingo, 9 de Novembro de 2008

Na calada da noite

Ano, 2004. Já estava praticamente no final do mês. Setembro passara rápido. Sem dinheiro e com pouca possibilidade de gasto, fomos até a locadora mais próxima daqui. Adriano queria alugar ‘Fome de Viver’ de Tony Scott com Catherine Deneuve e David Bowie. Um filme bizarro e kitsch, mas o melhor de tudo era a seqüência entre Deneuve e Susan Sarandon aos beijos e amassos. Filme de 1983 que narrava à história de Mirian Baylock, uma vampira que tinha o poder de sugar a vida e a juventude de seus parceiros. Seus amantes dependiam dela para sobreviver, do contrário envelheceriam antes do tempo. E para manter o poder da beleza precisariam sacrificar vidas e alimentar-se do sangue de suas vítimas. Tudo através de um ritual macabro. (E o que era a bunda de David Bowie no início do filme? Sensacional).
Apesar do filme ser considerado um terror meio cult, tinha todo um contexto por trás: a ditadura da beleza, o significado do eterno, as diferenças e a questão do mistério (coisas de gay que vive incessantemente em busca da juventude eterna e preocupação excessiva com o corpo). Gostei. Adriano babava com tudo aquilo. Ficava hipnotizado só de olhar para as imagens.
Após o término do filme estávamos literalmente com fome, eram mais de 23h. Fui até a geladeira, peguei uma lasanha congelada e coloquei no microondas. Voltei até o quarto e Adriano estava nu. Puxou-me com tanta força que quase bati a cabeça na quina da cama. Ele me mordeu todo. Dos pés a cabeça. Lembrei da cena em que Sarandon e Daneuve faziam sexo.
A sinergia entre a gente era tão forte que esqueci que havia deixado a lasanha de lado. Era mais de 1h da manhã e não parávamos de transar um minuto se quer. Nossos corpos estavam no limite, porém a fome era maior.
No outro dia estávamos quebrados, mas satisfeitos. Comemo-nos a vontade, se é que posso dizer. Já a lasanha não se estragara, pois era ainda melhor no dia seguinte.

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Fotografias

Praça dos Heróis (22 de junho de 2004)

Ponte Széchenyi (26 de junho de 2004)

Parlamento Húgaro (26 de junho de 2004)

Metrô Continnum (29 de junho de 2004)

Estação Nyugati Pályaudvar (29 de junho de 2004)

Basílica de Budapeste (29 de junho de 2004)


Por aqui não se passa sem que se sofra o calor do fogo.
Purgatório, Canto XXVII, 10, Divina Comédia.

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Leitura & Cia

15 de outubro de 2004. “... São os filhos de Adão, aquele que foi expulso do Paraíso, são irmãos dos animais, dos inocentes. Aceitam das mãos do céu, hora após hora, aquilo que lhes é oferecido: sol, chuva, neblina, neve, calor e frio, bem-estar; para eles não existe tempo, história, esforço, nem tão pouco aquela idolatria estranha pelo desenvolvimento e progresso, em que os proprietários acreditam tão desesperadamente. Um vagabundo pode ser definido delicado ou grosseiro, hábil ou desajeitado, corajoso ou medroso; dentro do seu coração ele não passa de uma criança; está sempre vivendo no primeiro dia, desde os primórdios da história do mundo e sua vida é orientada por poucos e simples instintos e necessidades. Pode ser inteligente ou tolo; pode ter consciência da sua profundidade interior, da mesma maneira que é frágil e passageira toda vida e como tudo que é vivo é pobre e passageiro, e leva um pouquinho de sangue quente através do frio gelado do universo. Pode, outrossim, seguir ingênua e avidamente as imposições do seu pobre estômago – o andarilho é o eterno adversário e o inimigo mortal do proprietário e do sedentário que o detesta, despreza-o e o teme, porque não quer ser lembrado da inconstância de todos os seres, do fenecer constante de tudo que é vivo, da morte gelada e inclemente que enche o universo à nossa volta...”.
Fechei as páginas de Narciso e Goldmund. Fui até a varanda do ap. e fiquei pensando nos últimos acontecimentos, Adriano informou que não dormiria aqui. Elaboraria um teste para os alunos no colégio na qual ensinava.
Neste dia cheguei cansado do trabalho, o dia foi marcado por reuniões e defesas de mídia junto aos clientes. Tomei um banho. Comi uma besteira e deitei no chão entretido com meu livro. Hesse enfrentava dualidades como o conhecimento e o sensorial. O ascetismo e a libertinagem. Uma história recheada de signos e arquétipos. Estava adorando aquele livro.
Acendi um cigarro e olhei a paisagem. Meu pensamento estava em Adriano. Cada dia que passava o amava mais. Lógico que eu cometia erros, mas era só ele que desejava. Andei até o quarto. Abri o computador e entrei na net. No Media Player rolava ‘7 minutes’ de Circlesquare. Chequei meus e-mails. Li as notícias mais importantes do dia.
Era uma segunda-feira. Estava quieto. Calmo. Liguei pro Dan e pedi que entrasse no bate-papo. Precisava falar com alguém urgente. Às vezes era horrível não ter ninguém para conversar. Morar sozinho tinha dessas coisas. De vez em quando batia uma solidão.
Dan comentou que havia terminado com seu psicólogo. Estava decepcionado com algumas atitudes do terapeuta. Dei uma força e disse que não se preocupasse. Ele sabia onde pisava. Ele era esperto. Só ficara chateado porque enfim achava que teria um compromisso sério. Convidei-o para dormir no prédio, assim teria uma companhia naquele dia um tanto quanto vazio.
Uma hora depois ele surgiu e disse que também precisava de um ombro amigo. Sentia-se desiludido. Abracei-o e ficamos a madrugada falando mal de homens como nós. No fim das contas chegamos à conclusão que éramos todos iguais: não prestávamos.

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Valentina


Obrigado, amiga, por tudo. Vamos realmente beber todas. Não estou legal, tô meio depressivo...